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SEBRAE e o CDI-LAN envolvem lan houses em Guarulhos

Por Bruno Cirillo

O projeto ganha disseminadores em locais distintos da cidade

Dois proprietários de lan houses em Guarulhos aderiram o projeto Sebrae-CDI-Lan aos seus estabelecimentos. Eles querem promover cursos de profissionalização e programas de formalização do Sebrae por vias online.

Tudo é bem vindo, desde que seja legal. Eu vejo essas parcerias como um bem maior para os clientes”, disse Antônio Aparecido, o dono da Work Play, que fica no Shopping Park Center, no Parque Cecap.

O estabelecimento de Aparecido é um exemplo a ser seguido em Guarulhos. Funciona há nove anos, trouxe a banda larga para a região em que atua, opera com 24 computadores, sendo que todos apresentam fones de ouvido (headphone) e, alguns, câmeras de vídeo (webcam).

Dentre os serviços oferecidos pela Work Play, há impressão, gravação de CDs e DVDs e os games tradicionais. Na geladeira detrás do balcão, bebidas de todos os tipos – com exceção das alcoólicas – estão à venda. “Só não vendo fraldas”, brincou o proprietário.

Ele exige cadastramento prévio de todos os clientes e mantém a documentação atualizada. “Eu vi várias lan houses grandes surgirem em Guarulhos, mas todas quebraram. O motivo: softwares piratas”, relatou.

Mais à periferia da cidade, o dono da Microchips, José Carlos Vasques, elogiou a iniciativa do Sebrae-CDI-Lan. “Essa idéia é boa. Não pelo lucro da lan, mas para a população conseguir melhorar o seu nível de emprego”, declarou. Uma das ações do projeto consiste em divulgar, através das lan houses, os cursos de profissionalização do Sebrae.

Vasques contou que está em busca de um assistente, que saiba escrever, para trabalhar no seu estabelecimento. A procura já perdura há alguns meses, mas ele ainda não conseguiu encontrar ninguém capacitado para o emprego. “Se o bairro melhorar, quem trabalha aqui melhora também. Eu tenho interesse em que a população melhore”, disse.

A Microchips oferta serviços diversificados, que vão desde os mais comuns, como os games e a Internet, até a manutenção de máquinas e edição de vídeos – a loja conta com uma ilha de edição profissional. Além desses diferenciais, uma monitoria é prestada a quem precisa fazer o uso dos computadores e não sabe como. Essa é uma cortesia da casa que talvez explique os “muitos clientes fiéis” comentados por Vasques, que estão entre as 5.500 pessoas cadastradas no sistema da Microchips.

Ação Conjunta

A equipe do Sebrae-CDI-Lan manterá contato com os dois proprietários de Guarulhos para desenvolver um plano de ação conjunta. Inicialmente, eles serão orientados a divulgar os programas de capacitação profissional e formalização do Sebrae.

Nos bastidores do projeto, estão sendo elaborados selos que identificarão quais ações os estabelecimentos parceiros praticam. Esses certificados serão uma forma de mostrar que as lan houses podem ser um espaço para o desenvolvimento social e empreendedor, além da usual fonte de comunicação e entretenimento.

Bruno Cirillo

Comunicação – CDI Lan/SP

As Lan Houses como centros de inclusão digital

Lan Houses podem se transformar em centros de serviços

Além de serem usadas para a inclusão digital, as lan houses podem ser empregadas na melhoria dos serviços públicos, no comércio e na educação e suporte social.

Esta é a opinião do diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Sergipe, Paulo do Eirado Dias Filho, que participou nesta terça-feira, 30, da audiência na Câmara dos Deputados que analisa projetos de lei envolvendo os centros de acesso à internet realizado pela Comissão Especial dos Centros de Inclusão Digital.

O especialista citou pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) a qual mostra que 65% dos usuários de lan houses realizam pesquisas acadêmicas, 22% buscam cursos e 10% frequentam cursos a distância nesses estabelecimentos. “Esse cenário mostra que a estigmatização desses estabelecimentos não faz mais sentido”, afirmou.

Um exemplo da utilização das lan houses para a inclusão social é a cidade de Salvador. O chefe da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo Municipal (Sucom) do município, Claudio Silva, contou que, por meio da utilização de lan houses, a Sucom conseguiu reduzir o tempo médio de emissão do termo de viabilidade de localização (TVL) de 60 para 12 dias. O TVL, explicou ele, constitui o primeiro documento obrigatório ao início de qualquer atividade econômica no município.

A Prefeitura de Salvador realizou convênios com 33 lan houses locais para prestar serviços públicos à população. Silva ressaltou, porém, que o mais importante não foi a melhora na qualidade do serviço, mas o “estímulo ao desenvolvimento socioeconômico” que o projeto representa.

“Para o cidadão chegar ao poder público, tem de pagar pelo menos R$ 4,50 de transporte, quando poderia realizar o mesmo serviço com R$ 2, perto de casa”, ponderou. Com a utilização das lan houses, diz Silva, aumentou significativamente o número de pessoas atendidas.

Já o prefeito da cidade Estância, em Sergipe, Ivan Leite, disse que a Prefeitura mantém convênios com 22 lan houses, 50% das existentes no município. Em 2009, o Poder Público da cidade realizou convênios com as lan houses para atender aos estudantes da rede púbica. “Capacitamos os professores para fazer demandas de pesquisas por meio da internet”, ressaltou. Segundo o prefeito, hoje o projeto atende mais de 2 mil jovens. As informações são da Agência Câmara.

O papel social das lan houses

Lan house como sinônimo de casa de jogos ou entretenimento é coisa do passado. Quanto maior o número de brasileiros conectados, maior é a importância social das lan houses espalhadas pelo país.

Hoje, as lan houses concentram mais de 35% dos acessos à internet no Brasil, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As lan houses estão no segundo lugar no ranking de locais de acesso, ultrapassando o local de trabalho, que antes ocupava a segunda posição. Leia o estudo completo, em PDF.

Ou seja, tem mais gente usando internet na lan house do que no trabalho.

Por isso, se você é dono de uma lan house ou pensa em abrir uma na sua cidade, não adianta pensar apenas no retorno do seu investimento em termos financeiros. Ajude a ensinar coisas novas a seus clientes, a promover uma melhor consciência digital. E em breve você será mentor (ou amigo) de novos empreendedores que poderão mudar a cara do Brasil.

E que deram os primeiros passos na sua lan house.