As Lan Houses como centros de inclusão digital

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Lan house e inclusão digital

Muita gente pensa que inclusão digital é ter computador em casa. Não é. Antes de qualquer coisa, inclusão digital é a democratização do acesso às tecnologias, não importa se em casa, no trabalho ou na lan house. A questão não é ter computador, mas o que fazer com o computador.

As dúvidas são muitas. Algumas bem técnicas e complexas, outras simples. Não à toa, há cinco anos o artigo “Inclusão digital: o que é e a quem se destina?” é um dos mais lidos e mais comentados na seção de tecnologia do Universo Online.

Vale a pena ler com cuidado e anotar todas as suas dúvidas, além do nome dos autores internacionais abordados na reportagem.

Depois, conheça (para divulgar na sua lan house) quais são os programas de inclusão digital no Brasil e visite também o site oficial da inclusão digital no governo federal.

Consultoria em informática educativa

A mãe de um cliente entra na sua lan house e pergunta: o que você pode oferecer para meu filho além de jogos e Orkut?

A sua resposta pode decidir o retorno (ou não) do cliente.

O que você tem a oferecer além da conexão internet? Você saberia dizer o nome de ao menos três jogos educativos que as crianças gostam? Você saberia informar ao cliente que tipos de cursos ele pode fazer na sua lan house?

É importante ler, ler muito. Conhecer os principais sites, revistas, boletins educativos. Conversar com as crianças e adolescentes. Basta 15 minutos com um deles e você vai ficar sabendo quais são os jogos que fazem a cabeça da criançada.

Para explicar um pouco mais a informática educativa, é obrigatório entender melhor esse conceito pela Wikipedia.

Lançado em SP o Projeto SEBRAE-CDI-Lan

Por Bruno Cirillo

Cerca de vinte proprietários de lan houses paulistas, outros empresários que pretendem atuar no setor e um grupo de jornalistas participaram do evento de lançamento do Projeto Sebrae–CDI–Lan, realizado na agência publicitária DM9DDB, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, durante a tarde de ontem (30/03).

Da organização, especialistas do Sebrae e do CDI Lan lideraram as palestras, que além de explicarem o motivo do projeto, idealizado para mapear e capacitar as mais de cem mil lan houses espalhadas pelo País, apresentaram novos serviços e produtos interessantes para esses estabelecimentos.

“É um projeto sobre inclusão digital, de melhoria de negócios e sustentabilidade. O Sebrae vem buscando trabalhar especificamente em função das lan houses, acreditando que elas possam ser uma porta de desenvolvimento e inclusão social”, afirmou Márcia Matos, a gestora do Sebrae–CDI–Lan.

A idéia do projeto surgiu após o Sebrae ter realizado um estudo sobre a condição das lan houses no Brasil, no final de 2008. A instituição analisou esses espaços em três regiões diversas – no Paraná e em Curitiba, no Mato Grosso do Sul e no Sergipe –, constatando que a situação dos locais é similar.

Segundo Mattos, as microempresas apresentam como características comuns o tempo de existência inferior a cinco anos; uma gestão imprópria, geralmente familiar; e o desconhecimento, por parte dos proprietários, do mercado. “Essas lans têm de seis a 36 computadores e ocupam um espaço de 25 a 125 metros quadrados, com a maioria tendo menos de setenta metros”, disse ela.

A escolha do CDI Lan como parceiro para melhorar a realidade desses empreendimentos é devida à experiência do grupo CDI em inclusão digital. Há quinze anos – período que coincide com a entrada da Internet no Brasil –, a ONG trabalha com a informatização de camadas da população socialmente desfavorecidas.

O Comitê para a Democratização da Informática (CDI) atende aproximadamente 250 mil pessoas por ano, através de 803 centros chamados CDI Comunidade, nos quais a informática é ensinada. O CDI Lan é uma iniciativa que tem o ideal de promover a inclusão digital através de lan houses – espaços que respondem por 48% dos acessos feitos à Internet no País, de acordo com o Comitê Gestor da Internet (CGI).

O diretor de operações do CDI Lan, Marcel Fukayama, que foi proprietário de lan house durante sete anos, defendeu o papel dos estabelecimentos na sociedade. “Durante os anos em que fui dono, tive a plena convicção de que lan house é uma grande solução, uma ferramenta para viabilizar a inclusão digital no Brasil”.

Ele contou que, no segundo ano de seu empreendimento, criou um programa nomeado “Aula Digital”, a que levava crianças de escolas e creches municipais, em sua lan, para que lá elas estudassem. No ano seguinte ao início do trabalho, uma parceria foi firmada com a ONG Escola Cidade Aprendiz, do jornalista comunitário Gilberto Dimenstein.

Parceiros Comerciais


O Sebrae–CDI–Lan também estabelece vínculos, vide o exemplo de Fukayama e Dimenstein, para que haja o desenvolvimento econômico das lan houses envolvidas com o projeto.

Entre os primeiros parceiros da iniciativa, está a Vai Voando, que oferece um sistema de passagens aéreas pré-pagas. Ralph Fuchs, o diretor-executivo da empresa, considera estratégica a aliança de seu produto com as lan houses.

“Buscamos a inclusão de trinta milhões de clientes que hoje fazem viagens de ônibus, quando poderiam ir de avião, com todos os confortos e a economia de tempo deste meio. São sujeitos das classes C, D e E, localizados justamente onde atuam as lan houses”, disse Fuchs.

Segundo ele, o público-alvo ganha poder de compra sobre as passagens aéreas a partir do parcelamento antecipado e da programação da viagem. Para cada bilhete vendido – a compra é feita pela Internet, com a impressão de um boleto –, a lan house responsável pela venda recebe 5% do valor do produto, pagos pelo CDI Lan, que recebe outros 5%.

Outro pioneiro na parceria do projeto é a empresa de softwares para celulares Movile. Seu produto, uma antena. É um dispositivo que permite ao seu proprietário emitir uma mensagem ou arquivo, a partir de um computador, para que todos que tenham um celular com Bluetooth ligado recebam o sinal.

Com esse pequeno objeto, os donos de lan house poderão divulgar seus serviços a todos que entrarem nos seus estabelecimentos ou passarem por perto, e tiverem o bluetooth em funcionamento. A Movile aposta na quantidade de aparelhos celulares que há no País para desevolver seu produto.

“Nós temos, no Brasil, 175 milhões de linhas celulares habilitadas. Como levamos a Internet a esses celulares de maneira gratuita?”, indagou Eduardo Lins Henrique, gerente de novos negócios da Movile. Para provar o potencial do produto, ele ainda afirmou que 58% dos aparelhos conta com a ferramenta Bluetooth.

Além desses dois parceiros, outras empresas estão estreitando um relacionamento com o Sebrae–CDI–Lan e os microempreendedores assistidos pelo projeto. Dentre eles, estão a Uol, a ViteSoft, que desenvolve softwares e presta consultoria, e a produtora de jogos sociais Mentez.

Todas as parcerias são firmadas em prol do avanço sócio-econômico das lan houses no País e de seus subseqüentes benefícios na sociedade brasileira.

Veja também: Com 90% das LAN Houses na informalidade, setor ganha projeto de profissionalização.

Lan Houses podem se transformar em centros de serviços

Além de serem usadas para a inclusão digital, as lan houses podem ser empregadas na melhoria dos serviços públicos, no comércio e na educação e suporte social.

Esta é a opinião do diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Sergipe, Paulo do Eirado Dias Filho, que participou nesta terça-feira, 30, da audiência na Câmara dos Deputados que analisa projetos de lei envolvendo os centros de acesso à internet realizado pela Comissão Especial dos Centros de Inclusão Digital.

O especialista citou pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) a qual mostra que 65% dos usuários de lan houses realizam pesquisas acadêmicas, 22% buscam cursos e 10% frequentam cursos a distância nesses estabelecimentos. “Esse cenário mostra que a estigmatização desses estabelecimentos não faz mais sentido”, afirmou.

Um exemplo da utilização das lan houses para a inclusão social é a cidade de Salvador. O chefe da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo Municipal (Sucom) do município, Claudio Silva, contou que, por meio da utilização de lan houses, a Sucom conseguiu reduzir o tempo médio de emissão do termo de viabilidade de localização (TVL) de 60 para 12 dias. O TVL, explicou ele, constitui o primeiro documento obrigatório ao início de qualquer atividade econômica no município.

A Prefeitura de Salvador realizou convênios com 33 lan houses locais para prestar serviços públicos à população. Silva ressaltou, porém, que o mais importante não foi a melhora na qualidade do serviço, mas o “estímulo ao desenvolvimento socioeconômico” que o projeto representa.

“Para o cidadão chegar ao poder público, tem de pagar pelo menos R$ 4,50 de transporte, quando poderia realizar o mesmo serviço com R$ 2, perto de casa”, ponderou. Com a utilização das lan houses, diz Silva, aumentou significativamente o número de pessoas atendidas.

Já o prefeito da cidade Estância, em Sergipe, Ivan Leite, disse que a Prefeitura mantém convênios com 22 lan houses, 50% das existentes no município. Em 2009, o Poder Público da cidade realizou convênios com as lan houses para atender aos estudantes da rede púbica. “Capacitamos os professores para fazer demandas de pesquisas por meio da internet”, ressaltou. Segundo o prefeito, hoje o projeto atende mais de 2 mil jovens. As informações são da Agência Câmara.

Como montar uma lan house educativa

Um dia, talvez as universidades se tornem redes coletivas de ensino. Bem antes disso, as lan houses podem preencher esse nicho de mercado de uma outra forma, gerando mais lucro para o empreendimento e mais credibilidade para o empreendedor.

O primeiro passo é deixar bem claro para o seu público que a sua lan house não é apenas uma casa de jogos, mas também um centro de lazer educativo. Em outras palavras: é importante fazer, mas também é importante divulgar.

Pense em cartazes improvisados pela parede, e-mails para os clientes mais assíduos e avisos impressos que você possa entregar aos clientes. Tenha em mente as seguintes variáveis para implementar na sua lan house:

  • Jogos educativos para idades variadas
  • Consultoria em informática educacional
  • Sites com cursos a distância (EAD – Educação a Distância)
  • Parcerias com escolas públicas e privadas

Veremos mais sobre cada uma delas em futuros posts.